|
Sessão
Solene do 25.º Aniversário
(6
e 7 de Julho de 2002)
As
cerimónias oficiais do 25.º Aniversário da Associação Humanitária
dos Bombeiros Voluntários de Caneças foram desdobradas em duas sessões:
Na
noite do dia 6 de Julho, realizou-se uma sessão mais "em família", em que se
procedeu à condecoração dos Bombeiros e demais entidades individuais ou
colectivas que se distinguiram pelos serviços relevantes
prestados à causa da Associação e do Voluntariado. Optou-se por este
desdobramento, de forma a simplificar a sessão do dia seguinte, dado o
elevado número de distinções concedidas, o que necessariamente torna este tipo
de cerimónia algo morosa, .
A
sessão, para além de ter sido animada com um espectáculo de variedades, foi iniciada pela visualização de uma apresentação
audio-visual de
"slides" animados, trabalho esse da autoria do Vice-Presidente da área Lúdica, Luís Filipe
Pereira, relativa ao historial da Associação e à sua realidade actual. A
apresentação foi projectada em écran gigante, instalado no palco, e acompanhada
de um fundo musical adequado.
As
imagens abaixo mostram alguns dos "slides" mais significativos da
apresentação:
As
cerimónias do dia 7 de Julho tiveram início cerca das 15 horas e contaram com
a presença de diversas entidades governamentais, autárquicas e das estruturas
dos Bombeiros.
Presentes,
também, o Pároco de Caneças e diversos representantes das Direcções e
Comandos de Associações de Bombeiros, dos mais diversos pontos do País.
Procedeu-se
à inauguração de três novas viaturas da Associação: uma Ambulância de
Transporte de Doentes, um Veículo de Desencarceramento e um Autocarro de
Transporte de Pessoal. A inauguração, para além do tradicional derrame de
espumante, foi precedida pela benção das viaturas, efectuada pelo Pároco de
Caneças.
Seguiu-se
a Sessão Solene, iniciada também pela visualização da mesma apresentação
de "slides", após o que se constituiu a Mesa de Honra, presidida pelo
Presidente da Assembleia Geral, e com a presença do Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, do Presidente
da Câmara Municipal de Odivelas, da Presidente da Assembleia Municipal de
Odivelas, do Presidente da Junta de Freguesia de Caneças, do Presidente do
Serviço Nacional de Bombeiros, do representante da Liga dos Bombeiros
Portugueses, do representante da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa
e, ainda, o Inspector Superior de Bombeiros.
Também o Presidente da Direcção e o Comandante do Corpo de Bombeiros.
A
sessão foi aberta com um discurso de acolhimento aos convidados, pelo
Presidente da Assembleia Geral, seguido do Presidente da Direcção e do
Comandante do Corpo de Bombeiros.
Durante
uma pequena sessão de imposição de condecorações a determinadas
individualidades, foi atribuída, à Associação, a Medalha de Ouro de
Serviços Distintos da Liga dos Bombeiros Portugueses, a qual foi imposta, no
Estandarte, pelo Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna.
|
Momento em que o Secretário de Estado Adjunto da Administração
Interna impôs, no Estandarte da Associação, a condecoração com a
Medalha de Ouro de Serviços Distintos da Liga dos Bombeiros Portugueses |
Seguiram-se
os discursos das diversas entidades oficiais, que, naturalmente, não estamos em
condições de reproduzir aqui.
A
Associação recebeu um presente muito útil, entregue pelo Presidente da Junta
de Freguesia de Caneças: Dois conjuntos "Paratec", para trabalhos de
desencarceramento em viaturas.
O
Presidente da Câmara Municipal, reafirmou a sua firme disposição de garantir
o necessário apoio financeiro ao funcionamento das três Associações de
Bombeiros do Município.
Os
representantes das organizações dos Bombeiros felicitaram a Associação pelo
seu aniversário e trabalho desenvolvido, tendo a sessão sido concluída com a
intervenção do Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, o qual também
afirmou a vontade do Governo em apoiar as organizações de Bombeiros.
Para
finalizar as comemorações, foi servido um pequeno beberete que permitiu, agora
já de um modo mais informal, uns momentos de confraternização com os
convidados. Não podia faltar o Bolo de Aniversário, cujas velas foram apagadas
pelo Presidente da Direcção.
Extractos
do discurso de abertura do Presidente da Assembleia Geral
...
Estamos aqui hoje reunidos para celebrar os 25 anos da nossa Associação. Ao lado de outras associações congéneres, algumas das quais centenárias
e com cuja presença nos
honram, neste nosso aniversário,
somos muito jovens.
Temos muito caminho para percorrer e para aprender.
...
Mas, nas Associações de Bombeiros, sejam elas centenárias ou jovens,
temos todos um problema pela frente que será o desafio das próximas décadas. Refiro-me
à crise do Voluntariado.
Nas
sociedades modernas, nomeadamente nas áreas mais urbanas, campeia o espírito
de egoísmo pessoal, onde, cada vez mais as pessoas vivem preocupadas com as
suas próprias vidas e estão cada vez menos predispostas a “trabalhar para a
Cidade”.
...
Começa a ser um verdadeiro prodígio encontrar-se pessoas que, ao longo de
muitos anos, por vezes uma vida inteira, dedicam os seus tempos livres a uma
causa social, com sacrifício do seu descanso, dos tempos de convívio familiar
e, por vezes, até da própria vida física. O
que acabo de referir aplica-se a muitas áreas da intervenção social. Mas
aplica-se, de forma muito evidente e, por vezes dramática, à causa do Serviço
de Bombeiro Voluntário.
Acabámos
de homenagear pessoas que dedicaram –
e continuam a dedicar –
muitos anos da sua
vida à causa do voluntariado nesta Associação, e não só. Foi uma justa
homenagem. Mas
não podemos esquecer que homenagear o passado é, ou deverá ser, preparar o
futuro.
...
Mas, não se julgue que o problema do voluntariado é um problema local. Muito pelo contrário,
trata-se de um problema global. Numa
sociedade cada vez mais materialista, o fenómeno tem de ser combatido com as mesmas armas.
E essas armas só os Governos as detêm.
No
limite, se o voluntariado cair gravemente enfermo e colapsar, só restará o
recurso aos Bombeiros profissionais, sejam eles municipais ou de qualquer outro
estatuto que venha a ser criado. E isso, certamente, será muito mais oneroso
para o erário público do que, atempadamente, investir um pouco no tratamento do
doente.
As
populações, a par de cada vez menos contribuírem – seja em meios
financeiros, seja em recursos humanos – para a causa dos Bombeiros, são cada vez
mais exigentes na qualidade do serviço a que entendem ter direito. E a prestação
desse serviço, com a qualidade necessária, cada vez menos será possível de
realizar com soluções amadorísticas de recurso.
A
Câmara Municipal de Odivelas, apesar de recentemente criada, foi pioneira na
instituição de alguns efectivos de carácter profissional, colocados em cada
uma das Associações de Bombeiros do Município. E esse é, sem dúvida, o
caminho a seguir: –
Uma solução mista, com profissionais que assegurem as 24
horas por dia, complementados com o necessário reforço voluntário.
Referiu
o Presidente da Direcção, na sua intervenção, o inestimável apoio
financeiro que esta Associação tem recebido do Município, apoio esse que eu
também agradeço, na certeza de que, sem ele, já teríamos entrado em colapso
funcional.
Mas
isso não chega! E mais do que isso, ultrapassa a competência e os meios da
Autarquia. É aqui que deverá
entrar a função do Estado. Como?
Criando,
para começar, adequadas verbas institucionais, previstas no Orçamento do
Estado, a fim de que os Bombeiros não tenham de andar perpetuamente de mão
estendida à “subsidiarite”. Depois, disciplinando as entidades com as
quais, estão ou venham a estar instituídos protocolos de financiamento, para
que paguem atempadamente as respectivas verbas, de modo a não causar
estrangulamentos de tesouraria.
Por
último –
e porque dinheiro vivo nem sempre é tudo –
aquilo que considero o mais importante ainda: Criação de um Plano Nacional de
incentivos, que permita captar os jovens para a causa do Voluntariado.
...
Não estou a falar de utopias. Estou a ser muito objectivo e refiro-me a soluções
que estão implementadas noutros países da União Europeia.
Refiro-me
concretamente a incentivos fiscais, a financiamentos bonificados para aquisição
de habitação própria, a benefícios sociais imediatos, como sejam passes
gratuitos ou com preços especiais, e a outros benefícios de longo prazo como
sejam na área da segurança social ou seguros de vida condignos.
Tudo
incentivos que ajudem a cativar os jovens, e nomeadamente, pela sua natureza de
continuidade, que os ajude a conservarem-se dentro da instituição.
E,
repito, não só para os Bombeiros fardados, mas também para os Quadros Dirigentes.
Com
isto, Senhor Secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, teremos
Bombeiros Voluntários pujantes. Sem
isso, o Estado terá seguramente um grave (e muito oneroso) problema para enfrentar a
breve trecho.
Hoje
estamos a celebrar um aniversário muito especial. O 25.º !
Vamos
pois fazê-lo, com a tranquilidade de quem sabe que cumpriu o seu dever. Vamos,
porque a festa, tal como o sonho, também faz parte da vida!
Caneças,
7 de Julho de 2002.
Extractos
do discurso do Presidente da Direcção
...
Um quarto de século ao serviço do voluntariado, voluntariado este que, na
nossa opinião, se encontra actualmente numa encruzilhada da sua existência.
Temos
a responsabilidade da gestão desta Casa, há já vinte e quatro anos;
permitam-me que, neste momento, agradeça a todos aqueles que, através destes
anos, me acompanharam nesta aventura.
...
Tem sido grande o esforço
financeiro feito nestes últimos seis anos, para o pagamento dos 100 000
cts. da dívida da construção do quartel, bem como na aquisição de viaturas
e equipamentos, e se não fosse o extraordinário
apoio do Município de Odivelas, provavelmente
já teríamos encerrado as portas.
Não
esquecemos, de igual forma, os apoios pontuais que nos têm sido prestados pelo
Governo Civil de Lisboa, bem como pelo Órgão tutelar dos Bombeiros, o SNB, mas
que, em nossa opinião e neste caso, terão de ser muito mais profícuos em sede
de orçamento de estado.
Por
outro lado, não poderemos estar quatro e cinco meses à espera do reembolso de
verbas relativas ao pagamento da Segurança Social, e de outros subsídios que
se encontram protocolados, bem como dos pagamentos das entidades a quem
prestamos serviços, sob pena de
estarmos a caminho da insolvência financeira.
Senhor
Secretário de Estado não temos dúvidas que os melhores gestores empresariais
deste país, se encontram nas
Associações de Bombeiros. Conseguimos sobreviver com arte, engenho e poucos
recursos; inventamos dinheiro onde este não existe, recorrendo a tudo e a
todos, mas esta situação não poderá continuar, pois a saturação já é
muita, para os mais velhos, e
pouco apelativa, para os mais jovens.
Vivemos
da subsídio-dependência incerta, e como alguém disse: não me dêem o peixe,
dêem-me a cana e ensinem-me a pescar. Quero referir-me à necessidade de infra-estruturação
das associações, com outros meios de obtenção de receitas próprias a serem
investidas nos Corpos de Bombeiros, mas que, logicamente, carecerá de apoio
inicial do poder central para a sua execução.
Muito
mais haveria a abordar, como a problemática do transporte de doentes em ambulância,
com a sua deficitária conta de exploração, e que, a manterem-se os actuais
pagamentos do preço do quilómetro, por parte do Ministério da Saúde, teremos
eventualmente de denunciar o acordo tripartido existente e passar a cobrar
directamente aos utentes.
Mas
como estamos em dia de festa, pedimos unicamente a V. Exa., enquanto responsável,
no Ministério da Administração Interna, pelos Bombeiros, que estes tenham, do
Estado, a atenção e a dignidade das quais são merecedores.
|